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CREAS I reforça rede de proteção às mulheres em Ananindeua

11/03/2026 14h26
Por Rosane Linhares (PREFEITURA)

Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS I).“Eu não tinha mais vontade de viver. Eu não tinha vontade de me arrumar. Cheguei ao fundo do poço.” A frase, carregada de emoção, marcou a roda de conversa realizada nesta quarta-feira (11) com mulheres acompanhadas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS I).

A atividade reuniu usuárias da unidade em um momento de escuta, acolhimento e reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade e os desafios enfrentados diariamente, especialmente por aquelas que já vivenciaram situações de violência.

Psicóloga Marcela Figueiredo.Durante o encontro, as participantes compartilharam experiências, fortaleceram vínculos e receberam orientações sobre direitos e formas de proteção. A psicóloga Marcela Figueiredo conduziu um diálogo sobre empoderamento feminino, destacando a importância da autonomia, da autoestima e da rede de apoio no processo de reconstrução da vida das mulheres.

Advogada Samira Bernardo.Já a advogada Samira Bernardo abordou os direitos das mulheres, com destaque para a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais importantes do país no combate à violência doméstica. Ela explicou como a lei funciona na prática e reforçou que nenhuma mulher está sozinha diante da violência.

A secretária de Cidadania, Assistência Social e Trabalho (SEMCAT), Francy Pereira, ressaltou que ações como essa são fundamentais para fortalecer as políticas públicas voltadas às mulheres.

“Nosso compromisso é garantir acolhimento, proteção e oportunidades para que cada mulher possa reconstruir sua história com dignidade. O CREAS tem um papel essencial nesse processo, oferecendo acompanhamento especializado e ajudando muitas mulheres a retomarem suas vidas”, destacou.

Coordenadora do CREAS I, Betânia Barroso.A coordenadora do CREAS I, Betânia Barroso, também enfatizou a importância da unidade na rede de proteção.

“Sempre digo que a violência é um ciclo que pode começar na chamada ‘lua de mel’ e chegar até a morte. Por isso, o CREAS é um espaço de escuta qualificada e de garantia de direitos. Aqui, cada mulher encontra profissionais preparados para orientar, acolher e caminhar junto nesse processo de superação”, afirmou.

Dona Leliana Santos, atendida pelo CREAS l.Entre as participantes, histórias de dor deram lugar a relatos de força e recomeço. Dona Leliana Santos, acompanhada pela unidade, compartilhou sua trajetória de superação após vivenciar situações de violência doméstica.

“Há 15 anos sofri violência física do meu companheiro. Chegou um momento em que a situação ficou tão pesada que não dava mais. Um dia eu percebi que poderia morrer. Estava com medo e desesperada, porque ele não parava de me agredir. Eu já tinha boletim de ocorrência e medida protetiva. Anos depois, quando consegui me reerguer, me envolvi com outra pessoa e o ciclo de violência começou, com agressões físicas e psicológicas. As palavras me diminuíam e, por muito tempo, eu me sentia um lixo. Eu pensava que nunca mais iria me levantar como mulher”, relatou.

Ela contou que chegou ao CREAS em um momento muito difícil da vida.

“Eu não tinha mais vontade de viver. Não tinha vontade de me arrumar. Cheguei ao fundo do poço. Mas aqui encontrei pessoas que me ajudaram muito, principalmente a psicóloga. Aos poucos comecei a me levantar, comecei a me olhar com outros olhos, a me cuidar novamente. Hoje já me arrumo, ajeito meu cabelo, passo maquiagem. Estou voltando. Quero dizer a vocês que eu sou forte e estou vencendo tudo isso de cabeça erguida, com a ajuda do CREAS. Esse apoio tem me feito muito bem”, disse emocionada.

Ananindeua possui uma rede estruturada de enfrentamento à violência contra a mulher.A ação também reforçou que Ananindeua possui uma rede estruturada de enfrentamento à violência contra a mulher, com programas e serviços que se tornaram referência. Entre eles estão a Casa da Mulher Brasileira, que reúne diversos serviços de acolhimento em um único espaço; a Patrulha Maria da Penha, que acompanha mulheres com medida protetiva; o programa Fluxo com Respeito; o Mãe Ananin, que oferece cuidado integral às gestantes; e o Protege Mulher, que garante apoio psicossocial imediato.

O município também conta com legislações importantes, como a Lei Municipal 3.300/2023, que garante afastamento remunerado para servidoras vítimas de violência doméstica, e a Lei Municipal 3.159/2021, que proíbe a nomeação para cargos comissionados de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha e pela lei do feminicídio.

Denúncias

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, canal gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia. Também é possível buscar ajuda por meio da Polícia Militar (190), do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, da Defensoria Pública, da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, do Ministério Público, da SEMMU, da Casa da Mulher Brasileira e das unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

Mais do que um encontro, a atividade no CREAS I mostrou que, quando há acolhimento e políticas públicas eficazes, histórias de dor podem se transformar em trajetórias de superação e esperança.